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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

E a cinderela teve chulé para sempre....

Ah, os contos de fadas.... Lindos, mas... Alguém já parou pra pensar no que que há por trás dos contos de fadas? Todo aquele enredo de princesinhas indefesas e príncipes heróis salvadores tem por trás muito mais do que mero entretenimento para garotinhas de 0 a 12 anos (ou mais, que seja). É, com certeza!

Alguém já pensou no machismo por trás dos contos de fadas? Sim, há muito machismo nessas historinhas para crianças. São sempre princesinhas indefesas, nunca príncipes indefesos... Sâo sempre garotas à espera de um homem que virá salvá-las. Uma princesa de contos de fadas nunca é autosuficiente! 

Basta olhar para a Cinderela, que só teve sua liberdade quando o príncepe a resgatou da bruxa má, mas não sem antes fazê-las experimentar o sapatinho que metade do reino já havia experimentado. Ele devia ser cegueta mesmo para não notar quem era sua princesa sem o sapato.

Depois temos rapunzel que deve ter cefaléia até hoje, coitada! Teve um príncipe pendurado nas tranças para resgatá-la. Talvez não existissem escadas naquela época. E com certeza quem escreveu a história subetima a inteligência feminina, pois qualquer ser com cérebro teria cortado a trança para descer, mas tudo bem... talvez não houvesse tesouras nem objetos cortantes naquela época. Se bem que os príncipes sempre têm espadas...

E a Bela adormecida que ficou cem anos dormindo... À espera do príncipe que a resgataria do feitiço e das armadilhas da bruxa má. Sempre um príncipe... Não poderia ser uma fada madrinha? Uma bruxa boa? Não, tem sempre que ser um homem a resgatar a princesinha.

Nessa mesma linha temos ainda Branca de Neve. Essa até foi corajosa, fugiu, mas não sem a ajuda de um homem, claro. E foi parar em uma casinha com muitos homenzinhos, para os quais lavou, passou e cozinhou, até ser enfeitiçada por uma maçã e finalmente esperar e encontrar seu príncipe salvador.

Há muitos mais, talvez até mais machistas, como a Princesa e a ervilha, por exemplo, mas esses são os mais clássicos e são perfeitos exemplos de que contos de fadas tentam produzir na mente das crianças o machismo e a submissão feminina. Em pleno século XXI está na hora de contos mais estilo Shereck, contos gays, enfim, contos de fadas que tenham algo realista e condizente com a sociedade que temos e a que queremos para ensinar às crianças em meio a fantasia.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Da fantasia à vida real

Tudo na vida muda. Às vezes para melhor, às vezes para pior. Ou simplesmente muda. Gostaria de saber se o que mudou foi para o melhor...

Sempre sonhei demais. Passei a vida lendo romances e imaginando o dia em que a minha vida seria como um deles. Enquanto esse dia não chegava eu era feliz na minha fantazia. Não importava o livro, não importava como seriam os personagens, o contexto histórico ou social, eu sempre estava lá e o meu amor também. Assim foi por um bom tempo... Saía do livro para o mundo real à espera de que o mundo real se transformasse no meu próprio romance com final feliz e muito mel.

E assim foi..., por um bom tempo. Até o dia em que encontrei alguém, alguém que pensei ter julgadso com a cautela necessária para não me precipitare acreditei finalmente ser meu príncipe encantado. Pensei ter encontrado o mocinho das minhas fantazias que me faria a mocinha de um lindo romance. Quando acreditei  e apostei nisso... as linhas do meu próprio romance começaram a se desenrolar em letras cor-de-rosa em páginas coloridas. Parecia um sonho. Era melhor do que eu poderia imaginar, era o melhor romance de todos! Nem Nora Roberts seria capaz de imaginar melhor!

A cada dia que passava mais e mais letras cor-de-rosa preenchiam as páginas coloridas. Algumas letras e vez ou outra algumas palavras caíam na opacidade do real fora da página, mas até mesmo a fantasia precisa da realidade para se manter, afinal toda história é uma versão do real, melhor ou pior. E era sem dúvida a melhor versão daquilo que a vida real era capaz de ser! E eu estava vivendo...

Com o tempo um maior número de palavras começou a cair da página colorida, mas elas sempre voltavam a se alinhar... Até que um dia, letra por letra, as palavras começaram a cair da página, levando consigo frases e parágrafos interiros ao abismo da opacidade. E agora esporadicamente algumas poucas palavras, uma ou outra linha, retornam ou surgem na página colorida, impossibilitando o meu sonhado final feliz.

Parece que minha história mudou e a minha fantasia virou vida real... simples e opaca.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O monopólio na mídia

Há muitos filmes que retratam o poder da mídia, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Cidadão Kane é apenas mais um deles, pois mostra o poder de um magnata da imprensa, assim como foram Willian Hearst nos EUA e Assis Chateaubriand e Roberto Marinho no Brasil. Como nos mostra o filme e também a realidade, quem tem o monopólio da imprensa, tem também o monopólio do povo.

A imprensa (e a mídia em geral) é produtora de sentido e esse sentido, ao chegar à população, pode alternar o cenário social. O filme A Montanha dos Sete Abutres é um exemplo disso. O jornalista central da história manipula a situação, alternando o sentido dos fatos, gerando mais conteúdo para o seu jornal, comoção da população e monopólio da notícia. Eis então a palavra chave para se entender a concepção do jornalismo.

O monopólio é, ainda hoje, embora não tanto quanto já foi um dia, a sombra que oculta a população de si mesma, pois ao conceder o poder a determinado veículo que se apropria dos fatos produzindo o sentido que será lançado aos cidadãos, impede a mesma população de ter acesso a outras versões e a novos sentidos. Foi devido ao poder monopólico do jornal de Hearst em 1898 nos EUA que se iniciou a guerra hispano-americana, explicitamente incentivada por Hearst. Além do mais, o monopólio, assim como o oligopólio, determina quem dita o que é e o que não é noticia, fechando os olhos das pessoas para tudo aquilo que não lhes convém ser visto, como a corrupção de alguns governantes apoiados pela mídia.

Como já foi dito aqui, quem tem poder sobre a mídia tem poder sobre o publico dessa mesma mídia. Um bom exemplo desse domínio foi a “censura” movida na chamada “justiça” pelo dono do império Globo de Televisão, Roberto Marinho, ao documentário Muito Além do Cidadão Kane, produzido pelo inglês Simon Hartog. O filme que conta a história da Rede Globo foi proibido no Brasil desde sua estreia em 1993.

Esse tipo de coisa “impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo. A democracia [...] precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos” . Por isso, para abrir os olhos da sociedade, clarear as sombras causadas pelo domínio sobre a imprensa e da imprensa sobre o público, são tão importantes a mídias alternativas independentes. Uma televisão pública, não estatal, independente financeiramente seria o ideal para o exercício da cidadania e da função social do jornalismo efetivamente.