Há muitos filmes que retratam o poder da mídia, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Cidadão Kane é apenas mais um deles, pois mostra o poder de um magnata da imprensa, assim como foram Willian Hearst nos EUA e Assis Chateaubriand e Roberto Marinho no Brasil. Como nos mostra o filme e também a realidade, quem tem o monopólio da imprensa, tem também o monopólio do povo.
A imprensa (e a mídia em geral) é produtora de sentido e esse sentido, ao chegar à população, pode alternar o cenário social. O filme A Montanha dos Sete Abutres é um exemplo disso. O jornalista central da história manipula a situação, alternando o sentido dos fatos, gerando mais conteúdo para o seu jornal, comoção da população e monopólio da notícia. Eis então a palavra chave para se entender a concepção do jornalismo.
O monopólio é, ainda hoje, embora não tanto quanto já foi um dia, a sombra que oculta a população de si mesma, pois ao conceder o poder a determinado veículo que se apropria dos fatos produzindo o sentido que será lançado aos cidadãos, impede a mesma população de ter acesso a outras versões e a novos sentidos. Foi devido ao poder monopólico do jornal de Hearst em 1898 nos EUA que se iniciou a guerra hispano-americana, explicitamente incentivada por Hearst. Além do mais, o monopólio, assim como o oligopólio, determina quem dita o que é e o que não é noticia, fechando os olhos das pessoas para tudo aquilo que não lhes convém ser visto, como a corrupção de alguns governantes apoiados pela mídia.
Como já foi dito aqui, quem tem poder sobre a mídia tem poder sobre o publico dessa mesma mídia. Um bom exemplo desse domínio foi a “censura” movida na chamada “justiça” pelo dono do império Globo de Televisão, Roberto Marinho, ao documentário Muito Além do Cidadão Kane, produzido pelo inglês Simon Hartog. O filme que conta a história da Rede Globo foi proibido no Brasil desde sua estreia em 1993.
Esse tipo de coisa “impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo. A democracia [...] precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos” . Por isso, para abrir os olhos da sociedade, clarear as sombras causadas pelo domínio sobre a imprensa e da imprensa sobre o público, são tão importantes a mídias alternativas independentes. Uma televisão pública, não estatal, independente financeiramente seria o ideal para o exercício da cidadania e da função social do jornalismo efetivamente.
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